sexta-feira, 21 de julho de 2017

E as fotografias?

  Vejo as caixas, os álbuns e fotografias soltas e pergunto-me: e o que faço às fotografias? Que faço às fotografias, quando tenho de reescrever uma vida inteira, quando tenho de lê-la com outros olhos? Alguma vez olharei de novo para elas sem que esta mágoa me aperte? 

   A vida continua a pregar-me partidas e quando um ciclo parece terminado - desejando eu que se inicie finalmente a desejada bonança depois de mais uma tempestade - eis que outro aparece, mas não a esperada bonança. Os provérbios não são infalíveis. Há-os para todos os gostos e uns contrariam outros...nem neles me posso fiar.

  Se já é triste fazermos o luto quando alguém por nós amado parte para sempre desta vida, como se faz o luto de alguém vivo? De alguém que supostamente  (e socialmente falando) estaria sempre ao nosso lado? E volto a perguntar-me: o que faço às fotografias? 





sexta-feira, 30 de junho de 2017

as ervilhas no meio do caminho

   Saber ler a vida com outros olhos e recomeçar... 
   as ervilhas sempre estiveram lá 
   há que saber usá-las.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra

Nunca esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma  pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade