sábado, 23 de janeiro de 2016

A capa dos livros

   Pensava saber há muito tempo que não devia julgar os livros pela capa, mas... mas foi mesmo assim que aconteceu. 
  Ela era bonita, mesmo bonita,  delicada e feminina, contudo, parecia que havia ali alguns pormenores pouco apurados. Um ar distante e superior, superficial, fútil, apesar de simpático, frases feitas, ideias mais que banais fizeram-me elaborar um retrato pouco lisonjeiro. Teríamos, certamente, poucas ideias em comum, concluí. Não conseguiria ter mais do que uma relação de cordialidade. Anos, muitos anos mais tarde, há muito pouco tempo, aliás,  percebi que por baixo daquela camada de lugares comuns havia mais do que parecia e o que vi era até aparentemente contraditório com o que tinha visto antes ou com o que ela tinha deixado ver.

5 comentários:

  1. Por vezes é tudo uma questão de tempo e abertura nossa. Há alturas que se consegue ver mais além, outras não :)

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    1. O preconceito reside em nós, mesmo que não queiramos... :)

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  2. Os livros são como os amores, são desejados no tempo certo. Não antes, nem depois.

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    1. Às vezes, somos surpeendidos. As pessoas podem ser mais do que aquilo que deixam ver. Esta frase encerra também um lugar comum, mas não deixa de ser verdade e, quando esta coisas acontecem, essses lugares comuns passam a fazer sentido.

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    2. E lá foi um «s» parar fora do sítio: saiu de «estas» e foi para «esse»...

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