sábado, 16 de janeiro de 2016

A liberdade, ai, a liberdade





   «O melhor do mundo são as crianças» dizia Pessoa, no seu poema «Liberdade». Pessoa não teve  filhos, mas teve sobrinhos e ouvi algures uma sobrinha dizer que  gostava bastante dele, considerando-o bastante divertido, o que contraria a ideia consagrada de que seria alguém muito sisudo.  Sorri para dentro e  com agrado quando ouvi  essa afirmação. Deveria ser daquele género de pessoas que está à vontade apenas com quem conhece e ama, deixando-se de frivolidades e fachadas para com os outros, guardando o seu melhor para quem considera merecê-lo.  O título do poema de onde foi retirada esta afirmação é revelador, depois de lermos o poema na íntegra e de estarmos atentos a alguns pormenores. A liberdade está em pequenos nadas. Há uma liberdade  que é interior, reside e tem a sua essência naquilo que os outros não alcançam e não podem modificar. As crianças são seres livres por excelência, desde que garantidas as suas necessidades básicas: sonhadoras e imaginativas, descobrem o mundo com curiosidade, exploram as suas possibilidades e têm a vida pela frente. Parece-me que os adultos que conseguem manter esse lado infantil poderão continuar a ser livres. A liberdade não é apenas fazer o que se quer. Essa ideia é extremamente redutora. A  liberdade está também na consideração pelos outros, na beleza, naquilo que aparentemente é supérfluo: a poesia,  a bondade, as crianças, as flores, a música, o luar, o sol, como disse Pessoa: 


«Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.»

Caso queiram ler o poema na íntegra, espreitem aqui.
(gosto muito deste vídeo para a canção da Zaz, 
do olhar limpo das crianças,  
da imagem a preto e branco...)

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