sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

A princesa e a ervilha



   Era uma vez uma história de Hans Christian Andersen.

   Em criança, esta história intrigava-me. Como é que uma simples ervilha, tão pequena, tão insignificante,  podia  incomodar alguém, sobretudo quando havia não-sei-quantos-colchões entre a dita ervilha e a suposta princesa?

   Há uns dias, voltando a pensar nesta história (já há muito esquecida), percebi que daria um bom título para o blogue que estava a pensar criar. Porquê? Porque há pequenas coisas que me intrigam, há pequenos gestos que me incomodam, há subtilezas nas palavras, nos olhares dos outros e, por vezes, parece-me que são impercetíveis aos outros. Sou só eu e aquela pequena ervilha. Mas será mesmo assim?  

  E claro que não há apenas ervilhas verdes, há ervilhas de todas as cores, há umas de que gosto, há outras de que não gosto, há umas que me levam ao céu, há outras que me levam ao inferno. E é de todas essas ervilhas que pretendo aqui falar.
  
     Para começar, fica aqui a história original, que me intrigou na infância, mas que li agora com outros olhos. Acreditam em princesas que ficam incomodadas com pequenas ervilhas? Eu já acredito! E que há princesas e príncipes verdadeiros, embora não saiba bem o que isto quer dizer...

«Era uma vez um príncipe que queria casar com uma princesa; mas ela tinha de ser uma princesa de verdade. Ele viajou por todo o mundo para encontrar uma, mas em lugar algum ele conseguiu encontrar o que ele queria. Havia muitas princesas, mas era muito difícil descobrir se elas eram verdadeiras. Havia sempre algumas coisas nelas que não eram como deviam ser. Então, ele voltou para casa novamente e ficou triste, porque ele gostaria muito de encontrar uma princesa de verdade.
Uma noite, caiu uma forte tempestade acompanhada de trovões e raios, e a chuva caía torrencialmente. De repente, alguém bateu no portão de entrada da cidade, e o velho rei foi abri-lo.
Era uma princesa que ali estava em frente ao portão. Mas, que pena! A visão que a chuva e o vento fizeram dela. A água caía de seus cabelos e das roupas, escorria até aos sapatos. No entanto, ela dizia que ela era uma princesa de verdade.
"Bem, logo descobriremos," pensou a velha rainha. Ela não disse nada, foi para o quarto onde a princesa dormiria, tirou todos os utensílios que estavam na cabeceira da cama e colocou uma ervilha no fundo da cama. Depois, mandou colocar vinte colchões em cima da ervilha.
A princesa teria de dormir em cima deles a noite toda. Ao amanhecer, perguntaram-lhe como ela tinha dormido.
"Oh, muito mal!" disse ela. "Nem sequer consegui fechar os olhos a noite toda. Deus sabe lá o que havia na cama, mas eu estava deitada em cima de alguma coisa muito dura, então eu fiquei com o corpo todinho marcado. Foi horrível!"
E foi assim que eles descobriram que ela era uma princesa de verdade, porque ela tinha sentido a ervilha através dos vinte colchões.
Ninguém, exceto uma princesa de verdade poderia ser tão sensível como ela.
Então, o príncipe tomou-a como esposa, pois agora ele sabia que ela era uma princesa de verdade. A ervilha ficou exposta num museu, onde poderia ser vista.»
  
Adaptado daqui.






6 comentários:

  1. aqui uma das histórias que me marcaram na infância... :)

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  2. Esta história sempre me intrigou também. A sensibilidade da princesa parecia-me excessiva. Mas há de facto pequenas ervilhas - boas e más - que detectamos com 20 ou 50 camadas por cima… Cumpts

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    1. Uns mais do que outros têm essa capacidade, parece-me agora. A velha rainha lá sabia...
      Obrigada pela sua visita.

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  3. Olá, Princesa.
    Segui a sugestão (lá no blogue da amiga-comum Miss Smile) e vim ler a primeira postagem.
    O que há de curioso aqui é que, conhecendo-a bem, e até lendo-a, mais tarde, para filhas minhas e filhos de outros, nunca simpatizei com a história em si, se dedicada a crianças, que, se fossem como eu fui, não entenderiam a moral que esconde (às filhas tive que traduzir em muitos miúdos, para dar vazão a uma enchente de perguntas e dúvidas).
    Precisei recuperá-la anos mais tarde, já mulher, para lhe entender o sentido, como é lógico. Aliás, há muitas histórias ditas infantis, que eu as considero para adultos... mas quem sou eu para opinar?
    No seu caso teve bom gosto em usar dessa metáfora para o seu blogue.
    Acho que sou mais uma a encontrar um saco cheio de ervilhas - o caminho já vai comprido ;)
    Muitas, preferia nunca ter descoberto.
    Outras são pequenas pérolas, e é tão bom descobrir.
    bj amg

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    1. Olá, Carmen

      O seu texto poderia ser o meu: só tarde percebi a história e também já tenho muitas ervilhas pelo caminho, das boas e das más.
      Obrigada pela sua visita e pelo seu comentário. :)

      Outro beijo.

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