sábado, 2 de janeiro de 2016

As nuvens

«As nuvens, meu irmão, são leviandades da criação».

Millôr Fernandes 




   Reais, facilmente explicáveis no mundo físico, as nuvens parecem ser o capricho de um qualquer deus, que, leviano, as criou para nossa contemplação (ou não…) e algumas delas, de tão belas e originais, facilmente me levam a duvidar de todas as teorias e certezas científicas.  
    Brancas, cinzentas, vermelhas, amareladas, cor de rosa, escuras, claras, despertam o desejo de chegarmos até lá acima e flutuar com elas. Em constante movimento, fugidias, rebeldes,  recordam-me ininterruptamente que o tempo não para por mais que queiramos. 
    O cinzento que anuncia uma tempestade é poético e até aconchegante, quando estou do lado de dentro de um vidro e tenho ao meu alcance o calor reconfortante da casa,  de um chá ou de um chocolate quente. No exterior, invade-me uma sensação de liberdade e de purificação trazida pelo vento forte e pela promessa da chuva.
  Brancas, em pequenos flocos, as nuvens fascinam-me e levam-me para um universo infantil, por me fazerem acreditar que são apenas pedaços de algodão que ali flutuam. Sempre que ganham tonalidades ricas e quentes com o pôr do sol, é o próprio pôr do sol que beneficia quando lá estão, espalhadas pelo céu, pois a luz, a cor e as próprias nuvens ganham ainda outra dimensão. Ou talvez não beneficie... a atenção desloca-se para elas, empurrando o Sol para um papel secundário.  Dir-se-ia uma obra efémera e única de um grande artista e que apenas posso tentar tornar eterna através de uma fotografia.







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