sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Há gente que me ultrapassa II


   Pensamos que já vimos tudo ou que já imaginámos quase tudo e eis que, do nada, vem algo para nos relembrar que não é bem assim. 
  Ainda andava a digerir a história da rapariga que era certamente aparentada com os polvos, quando, no meu caminho habitual e diário para casa, me deparei com um jovem condutor a ler enquanto conduzia. O rapaz, na casa dos trinta, tinha de facto um ar civilizado, culto, bem colocado na vida, barbudo, enfim, com todos os predicados possíveis (à primeira vista, todos positivos) e o carro que conduzia também era civilizado, além de novo, moderno... Mas sim, lia um livro. Isso! Um livro! Com páginas, capa e tudo... Eu bem tinha dito que ele tinha um ar culto e civilizado (e o livro condiz com a descrição, a condução é que não). Estão aí a pensar que estávamos parados no trânsito, mas não, não estávamos num engarrafamento, nem  se vislumbrava nenhum nas imediações. Íamos numa estrada com algumas curvas, com descida acentuada e de trânsito permanente. O livro ia aberto, sim, e eu, que me cruzei com o rapaz por breves instantes, porque seguia no sentido contrário, vi o livro em cima do volante. Até lhe adivinhei as letras, as palavras, as frases...  
   O rapaz seguiu para o seu destino com a normalidade possível. Eu continuei o meu caminho, pensando que há muita gente por aí com muita fé no seu destino...

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