segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Há gente que me ultrapassa IV

   Como não podia deixar de ser, cheguei ao IV... Desta vez, circulava eu na faixa a que tenho direito por lei e eis que um jipe estava parado numa das esquinas de um entroncamento, mesmo perto de uma escola e ocupando metade da faixa de rodagem. Dois miúdos imberbes estavam já sentados na parte de trás do jipe, que era certamente do século passado e  de marca indecifrável (pelo menos para mim).  O dito jipe, pequeno por sinal, ostentava os quatro piscas ligados como que a dizer vou-demorar-um-pouco-tenham-paciência, ou talvez sei-que-não-devia-estar-aqui-mas-tenham-paciência, e eu tive-a (a paciência). Tive paciência, porque naturalmente tenho paciência e porque não gosto de começar a buzinar assim do nada. Tentei uma ultrapassagem, mas do outro lado os carros pareciam jorrar continuamente não sei bem de onde e eu não conseguia passar. Percebi entretanto que a senhora (a condutora?!) não se encontrava ao volante e serpenteava à volta do carro sem qualquer razão aparente. Dito isto, continuava com a paciência possível e com a esperança de vislumbrar uma pequena oportunidade  para ultrapassar o jipe ou que a condutora se sensibilizasse com a situação de quem esperava para passar. Mas sem sucesso. Nem uma coisa nem a outra. Os carros do sentido contrário passavam continuamente, sem me dar a mínima oportunidade e para a senhora éramos certamente transparentes.  A paciência esgotou-se na fila que atrás de mim se foi constituindo, o que foi bastante notório nas buzinadelas que comecei a ouvir. A senhora continuava a serpentear à volta do carro, ainda sem razão aparente. Os miúdos, que estavam lá dentro, começaram a fazer caretas com ar divertido, em total desrespeito por quem esperava e em consonância com a possível progenitora. Quem sai aos seus... No meio das buzinadelas (a do meu carro também já se fazia ouvir, porque a minha paciência é grande, mas tem limites), eis que surgiu uma nesga de  oportunidade e ultrapassei o jipe para poder seguir o meu caminho. Pelo que consegui vislumbrar, a senhora  serpenteou um pouco mais, antes de se colocar ao volante e levar outra eternidade a tirar os piscas e a fechar a porta do veículo.

   

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