domingo, 3 de janeiro de 2016

O fricassé



  Se há prato que recordo da minha infância é o fricassé de frango que a minha avó fazia. Nunca mais comi um igual e a receita partiu com ela. Nenhum rascunho, nenhum caderninho guardou o segredo da sua receita. Seria o sabor a limão de que tanto gosto que o tornava especial? Hum… não. Já ensaiei tantas vezes aquele prato e nunca o consegui reconstituir. Seria o sabor dos alimentos de então, já há algumas décadas? O segredo estaria nas mãos da minha avó? Na vida dedicada à casa? Na exímia cozinheira que fora também a minha bisavó? 
  Lembro-me de um dia em particular em que o comi, um daqueles dias que ficam para sempre guardados nas nossas memórias. Ainda nem dez anos teria e estava sentada a almoçar na pesada mas luminosa sala de jantar da minha avó. E era um almoço de família, de certeza. Lembro-me bem em que lugar da mesa me sentei, que o dia nem era claro nem era escuro e recordo bem o tom amarelo do fricassé, salpicado de salsa. Guardo ainda comigo o seu sabor ligeiramente ácido, a textura cremosa, a carne tenra, o arroz perfeito e branco a acompanhar. 
   Volta e meia regresso ao fricassé e àquela sala.

  (à falta de fotografia do original, pretende-se que a que foi colocada seja alusiva ao prato, embora o amarelo não fosse tão forte)
 (ah...e também me lembro da torta com recheio de chocolate, um dia falarei dela também)

Sem comentários:

Enviar um comentário