segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

No aeroporto

  

   O aeroporto sempre me pareceu um lugar mágico. Quando era criança, fui lá algumas vezes buscar familiares e lembro-me de olhar fascinada para a saída dos passageiros como uma porta mágica por onde chegavam pessoas cheias de histórias por contar. Invejava-as, mas era uma inveja saudável, boa, porque ficava feliz por elas terem  viajado, por terem vivido experiências únicas e também porque alimentava os meus sonhos. Tentava imaginar de onde vinha cada família, cada grupo, cada casal, cada viajante solitário. Observava os sacos e as malas que traziam, à procura de uma pista que me indicasse as suas proveniências. Sabia que cada um desses passageiros transportava em si uma história única que ansiava conhecer. Sabia que era impossível adivinhar-lhes as histórias, mas esse desejo permanecia em mim e sonhava com o dia em que eu própria sairia por aquela porta. Esse dia aconteceu quando já não era uma criança e trouxe comigo uma história inesquecível, a primeira de uma mão cheia delas que não quero esquecer. De cada vez que saio por aquela porta, revejo-me ali, daquele lado, nas chegadas, e procuro a criança que sonha com as histórias trazidas de outros lugares. 


Imagem daqui.

6 comentários:

  1. Sem dúvida um lugar mágico para uma criança :) algo stressante para um adulto, especialmente naqueles aeroportos enormes e no qual se tem que mudar de terminal :)

    Beijinho

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    1. Claro que com essa parte nem sonhava... :)


      Outro beijinho

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  2. Para mim, e viajei muito de avião em criança, os aviões eram um lugar mágico. Entrava-se numa porta para, mais tarde, voltar a atravessar a mesma porta, mas num sítio diferente. Ia quase sempre do lado da janela (tinha de subornar o meu irmão) e gostava de pintar o livro que as simpáticas hospedeiras me ofereciam, enquanto ia olhando as nuvens que pareciam algodão doce. Hoje, já não posso dizer o mesmo. As esperas no aeroporto e as viagens de avião entediam-me.

    Um beijinho, Princesa :)

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    1. As esperas e as viagens longas não me agradam, de facto. Tento focar-me no que me espera, naquilo que vou descobrir ou naquilo que trouxe comigo (não estou a falar de «souvenirs»...) quando regresso. É verdade que as viagens nos limpam a alma e alargam os nossos horizontes, embora seja banal dizer isto.
      E continuo a observar as pessoas e a tentar adivinhar as suas histórias. :)

      Outro beijinho, Miss Smile.

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