quarta-feira, 9 de março de 2016

O dia em que o bosque real quase foi arrasado por causa de uma gripe


   Os homens precisam de algo que os ocupe e, sobretudo, não podem adoecer! Cheguei a esta brilhante conclusão, depois de ter o meu príncipe vários dias em casa, combalido com uma gripe...
   Primeiro chegou o frio, um frio que não o  largava. Pensei e desejei entre dentes: «Está frio, isto já passa.» e disse «Foste à fresca! Tens a mania que é verão».  Mas o frio continuou. Nem a lareira nem chá o aqueciam. Horas e vários espirros depois, veio a confrmação. O frio não o largava mesmo e a temperatura subia. Nada a fazer.O meu príncipe estava com gripe. «Ui!» «Credo!» Já vos oiço a dizer... e sim, um príncipe com gripe não é diferente de qualquer outro homem, seja rei, padeiro, engenheiro ou marinheiro. Sofre, e muito, muito mesmo. Camadas de cobertores, chás, canjas, roupão, paracetamol... mais outro pijama. nada chegava para o consolar e confortar.Quanto a mim, estive à beira de um ataque de nervos (desculpa, Almodóvar, invocar assim o nome do teu filme...). Não há medicamentos, chás, mezinhas, canjas suficientes que acalmem o sofrimento de um homem. 
   As galinhas cá do palácio pressentiram que havia qualquer coisa de diferente, à medida que os dias avançavam e as suas companheiras desapareciam, imediatamente depois da visita da cozinheira. Passaram, pois, a esconder-se sempre que ela voltava a entrar no galinheiro. O que a pobre mulher correu para agarrar as galinhas na tentativa inglória de apaziguar os sintomas de tão cruel maleita! Entretanto,no quarto real, os espirros sucediam-se em catadupa.Uma resma de pessoas acotovelava-se na tentiva de minorar o sofrimento causado por esta gripe real. Lenha foi deitada ininterruptamente na lareira para que o frio que o invadia passasse,  com custos razoáveis no nosso bosque real, pois os lenhadores trabalhavam dia e noite. Também o pomar sofreu um desbaste assinalável, por causa dos chás de limão e dos sumos de laranja. Entrei várias vezes por dia no quarto para o confortar («na saúde e na doença...») e invadia-me sempre um  calor tropical causado pela lareira que fazia arder a lenha no máximo da sua capacidade. «Está demasiado calor» pensei e disse «Querido, está muito quente! Não podes estar assim no meio deste calor, dado que estás com febre». Mas qual quê? Que sabia eu acerca do assunto, quando estava a ser bafejada pela sorte por o vírus (ainda) não me ter atingido?!»  
   Escrevo agora para vos informar que  sobrevivi (e o meu príncipe também). Passados sete dias, voltou alegremente para o seu trabalho para felicidade das galinhas, da cozinheira, dos animais do bosque, dos lenhadores, dos pássaros do pomar e, naturalmente, de mim própria, que, finalmente, já não tenho de baixar o tampo da sanita de cada vez que vou aos «toilettes» reais. Ufa!!

Imagem daqui.

2 comentários:

  1. Uma delícia, querida Princesa!
    Deviam ser inventados uns vírus reais que evitassem o recurso a essas mezinhas plebeias, como canjas, caldos, chás e lareiras. Em suma, um vírus que atacasse com mais pompa e circunstância :)
    Apesar de o pior já ter passado, cuidado com as correntes de ar no palácio :)

    Beijinhos

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    1. Miss Smile,

      Ainda me ando a recompor... os vírus não se acanham com a realeza e fazem-nos descer à humilde condição de mortais.

      Vou ter cuidado com as correntes de ar. :)

      Beijinhos

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