quinta-feira, 21 de abril de 2016

fel

  O dia de trabalho começou com alguém aos gritos. Sem razão, a pessoa deitava, pela boca, pelos olhos, pelo corpo todo, o fel que lhe percorre as veias, as artérias, o fel que lhe amarga a cabeça, o coração e o estômago...enfim, a vida. Fiquei impávida e deixei que o fel saísse e que a fonte esgotasse. Mas não foi isso que aconteceu. Parecia uma fonte interminável e, quando parou de vomitar o fel que lhe envenena a vida, lá continuou o seu caminho, cheia de si, realizada por causa de uma mesquinhez que começou exatamente por uma falha da sua parte e que não tem qualquer importância na vida de ninguém, a não ser na dela. Não seria verdadeira se dissesse que estas coisas não me incomodam. Incomodam! Incomodam pela injustiça que lhes está inerente e nem me apraz pensar que o pior é para aquela que, em vez de sangue, tem fel a passar-lhe pelo coração.

2 comentários:

  1. Há pessoas assim, zangadas com o mundo. Deve ser um pesadelo viver assim...

    Um abraço apertado, querida Princesa.
    [espero não ter quebrado o protocolo :)]

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    1. Deve ser ... e quando chegam perto de nós também...

      Agradeço o abraço apertado e retribuo com outro, querida Miss Smile.

      [Claro que não :) ]

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