quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

«Todo o mundo é composto de mudança» *

   Cheguei à janela e vi o Sol, vermelho, multiplicado numa dezena de janelas a nascente. Virei-me para o ver a poente. Ao contrário do que esperara, e em seu lugar, vi tijolos e vigas de cimento. Na voragem dos dias, tinha-me esquecido que um prédio se tem erguido no fim da minha rua. Um vazio inundou-me por instantes... Pensei depois que era um disparate da minha parte, já sabia que aquilo ia acontecer. Por aqui, o pôr do sol jamais será o mesmo, não voltarei a ver, neste meu recanto, os tons avermelhados que ainda me surpreendem. Agora, a minha rua já não é infinita. O Sol continua a sua viagem, continua a pôr-se e outros, no fim da minha rua, apreciarão - espero eu -  a sua beleza ao deitar-se no horizonte.  Guardo comigo todos os pores-do-sol que vi daquela janela e anseio pelos outros que ainda espero vir a ver do outro lado da minha casa.


2 comentários:

  1. Apesar da mudança e da constante impermanência do mundo, que continue a saber apreciar todos os pores-do-sol. A perspetiva ou a janela podem mudar, mas a beleza está sempre nos olhos de quem a vê.

    Um bom ano, Princesa :)

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