sexta-feira, 21 de julho de 2017

E as fotografias?

  Vejo as caixas, os álbuns e fotografias soltas e pergunto-me: e o que faço às fotografias? Que faço às fotografias, quando tenho de reescrever uma vida inteira, quando tenho de lê-la com outros olhos? Alguma vez olharei de novo para elas sem que esta mágoa me aperte? 

   A vida continua a pregar-me partidas e quando um ciclo parece terminado - desejando eu que se inicie finalmente a desejada bonança depois de mais uma tempestade - eis que outro aparece, mas não a esperada bonança. Os provérbios não são infalíveis. Há-os para todos os gostos e uns contrariam outros...nem neles me posso fiar.

  Se já é triste fazermos o luto quando alguém por nós amado parte para sempre desta vida, como se faz o luto de alguém vivo? De alguém que supostamente  (e socialmente falando) estaria sempre ao nosso lado? E volto a perguntar-me: o que faço às fotografias?