sexta-feira, 11 de maio de 2018

(des)equíbrios imperfeitos

 1
 A vida acontece a partir de pequenos nadas, alheia a decisões, regras e planeamentos. Passos e decisões aleatórias, que acontecem na sequência de pequenos impulsos, podem, por vezes, mudar-nos as vidas.  

2
      Vivemos baseando-nos em dados que julgávamos certos, garantidos, seguros pelos laços de sangue - mesmo que saibamos que nada é garantido. Um dia, percebemos que, afinal, eram apenas dados mascarados, lançados de forma a cegarem-nos, dados ocultados por quem  quer dominar tudo e todos à sua volta, em proveito próprio ou por pura maldade. O dia da revelação chega quando, em resultado do excesso de confiança ganho por quem ia laboriosamente lançando os dados e viciando o jogo, um passo em falso é dado. A crua verdade é-nos revelada. Podemos, a partir daí, procurar o equilíbrio, procurar reescrever e ler a vida com outros olhos, passando a vivê-la de outra forma, mas será sempre num equilíbrio imperfeito. Os alicerces que acreditávamos estarem lá não eram aqueles que julgávamos, não eram  aqueles em que nos fizeram acreditar, não eram aqueles que deveriam ser verdadeiros, reais, porque é assim que a nossa sociedade espera que sejam: laços de sangue são sagrados. E não são. Tudo temos de pôr em causa, mesmo aquilo que sempre nos foi apresentado como verdade. 

3
    Outras vezes ainda, a vida já foi decidida por fatores a que somos alheios. Nada podemos fazer para os controlar, porque simplesmente os desconhecemos e quando dão sinal - caso deem - já é tarde e a vida está decidida. Resta-nos acatá-la e viver o melhor possível, se ainda houver tempo, com aquilo que resta ao nosso dispor,  recordando o que de bom a vida nos trouxe, embora um nó nos aperte a alma, o estômago, a garganta... pois sabemos que é tempo para mais uma despedida.







[uma pérola]